Arte Educação

A Galeria Amparo 60 convida arte educadores e instituições de ensino para visitação guiada à exposição Foto/ Linguagens de Paulo Bruscky que ficará em cartaz até 13 de março.

Agendamento de visitas guiadas pelo telefone: 3033.6060

e pelo e-mail: galeria@amparo60.com.br

 

Horário da exposição para o público em geral:

Segunda – sexta: 9h às 12h – 13h às 18h

Sábados: agendamento com dois dias de antecedência

 

Sobre a exposição:

“Paulo Bruscky expõe fotografias na Amparo 60

A partir do dia 28 de novembro, o público poderá conferir uma faceta pouco conhecida do pernambucano Paulo Bruscky. Ele vai expor 150 obras fotográficas, a maioria inédita, na Galeria Amparo 60. A pluralidade é uma das características do artista que está com uma exposição retrospectiva em cartaz no Museu do Bronx, em Nova York. A exposição Foto/Linguagem, que ficará em cartaz na galeria até janeiro, tem curadoria da professora da USP e curadora Dária Jaremtchuk.

Segundo ela, na década de 1970, o termo fotolinguagem tornou-se frequente no meio brasileiro para designar uma produção que se diferenciava da tradição da “fotografia de arte” e do “fotojornalismo”. Elaborada por artistas, os trabalhos eram destituídos de preocupações estéticas ou de sofisticação formal, levando o questionamento do conceito de obra de arte, de autor e de receptor e à inserção da fotografia no âmbito das artes visuais. “Paulo Bruscky pertence a este grupo. Porém, sua familiaridade com o universo da ‘imagem mecânica’ remonta aos tempos de sua infância, quando frequentava o estúdio do pai-fotógrafo. Assim, a presença do aparato e a ideia da reprodução acompanham-no desde então”, destaca a curadora.

Apesar dessa relação antiga, as suas imagens fotográficas não foram muito analisadas. Talvez isso tenha ocorrido devido às suas atividades múltiplas e ao seu interesse por suportes diversos que gerou um volume enorme de produção. “Como era de se esperar, tratando-se de Paulo Bruscky, não há nelas um tema uníssono por permanecer ele o “colecionador” que carrega para o seu arquivo imagens de suas incursões poético-urbanas que fundem fragmentos visuais e textuais com aguda ironia e gosto pelo comum da vida”, detalha a curadora. A mostra reúne trabalhos de toda a trajetória do artista, seja do início na década de 1970, ou mesmo de fotografias realizadas em 2013”.

Paulo Bruscky no Tomie Ohtake

No próximo dia 03 de setembro,  segunda-feira, às 20h, abre a exposição do artista Paulo Bruscky  “Banco de Idéias – projetos interrompidos, em aberto, quase impossíveis, todos a serem realizados com exceção de um, feito para esta exposição“, no Intituto Tomie Ohtake  em São Paulo.


Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima 201
Pinheiros, São Paulo
+55 11 2245.1900
www.institutotomieohtake.org.br
instituto@institutotomieohtake.org.br

Sem Título Algum | Adolfo Montejo, Lula Wanderley e Paulo Bruscky

Sem Título Algum – Cartografia afetiva, Poética e Intempestiva

Começar com o tema da amizade se revelou ser o melhor caminho a percorrer para apresentar Sem Título Algum, mostra expositiva ocorrida na Amparo 60 Galeria, que reuniu pela primeira vez três amigos/artistas — genuínos fazedores de poesias —, Adolfo Montejo Navas, Lula Wanderley e Paulo Bruscky.

Um dos fios que teceu a trama da exposição recaiu sobre a vontade dos artistas de criar um “lugar” que potencializasse o encontro, as poéticas cúmplices e celebrasse a amizade. Nesse aspecto, além do sentido usual do termo, considerei que falar de amizade é falar de multiplicidade, intensidade, experimentação, desterritorialização. A amizade vista dessa maneira esgarça o tecido liso e naturalizado da noção de relação e estende-se para significados que constroem agenciamentos e criam intercessores. O essencial são os intercessores. A criação são os intercessores. Sem eles não há obra. Podem ser pessoas — para um filósofo, artistas ou cientistas; para um cientista, filósofos ou artistas […] é preciso fabricar seus próprios intercessores (Conversações, G. Deleuze).

O que construíram os três artistas? Um agenciamento que poduziu poéticas e narrativas visuais marcadas por singularidades e complexidades, tensões, justaposições, unidades, identidades, proximidades e distâncias. Todas resultantes de intimidades constituídas ao longo de muitos anos de amizade e, sobremaneira, potencializadas pelas conversas trocadas por inúmeros e-mails ao longo dos meses que anteciparam a realização da mostra. Constituiu-se, dessa maneira, uma rede com muitos interlocutores cuja ausência de hierarquias — curador, mentor, sensor — horizontalizou as relações e instigou o acontecimento.

O desenho da mostra se esboçava. Lula Wanderley, afetivamente envolvido — com sua poética refinada, sofisticada, limpa e potente — contava, a partir de outra geografia, dos trabalhos feitos, instigava, mapeava e inscrevia o acontecimento. Imaginava o espaço, desenhava de longe a montagem, produzia conceitos; apostava na trama, na aventura, nas incertezas, na poesia como forma ampliada, expandida, matriz de poéticas e criadoras de mundo, no sentido originário da poièsis. A arte de Lula Wanderley é radical. Do Bem Dentro (2011) — trabalho que guarda uma sutileza na forma e na retórica, beleza do texto visual, que intriga o espectador, instiga o passante a ousar descascar as camadas do que está velado; passando pelo livro Retratos, narrativas dedicadas aos seus intercessores eleitos, aos Objetos Retratos — Obra Líquida, Adolfo X Adolfo e Passante — deliciosamente bem-humorados —, feitos respectivamente em homenagem aos amigos Bruscky, Montejo Navas e seu autorretrato.

Adolfo Montejo, de outro ponto do País, juntava, justapunha, abria diálogos entre os trabalhos de Bruscky, Lula e os seus. Revelava-se conhecedor dos percursos poéticos de seus pares. Bulia em seus trabalhos. O artista produziu séries de poemas visuais, objetos artísticos ricos pela sua contundência poética e política — como bombas de artifício, contundentes e belas —, trouxe livros de artistas, jogos poéticos, entre muitos trabalhos desconhecidos por interessados em arte. O silêncio de seus cadeados suspensos sobre o batente de uma porta olhava ao longe o silêncio de um pênalti, vídeo-poesia de Lula Wanderley. Ambos os trabalhos edificavam, conjuntamente, balizas que marcavam os limítrofes de uma cartografia que se assemelhava a um campo de força, cujas inusitadas narrativas poéticas posicionavam-se entre esses dois pontos. Ressonâncias?

Entre as balizas do silêncio, encontrava-se a obra Antologia Poética — série de poemas visuais feitos por meio da apropriação de cédulas monetárias, cuja re-união justificava-se pela recorrente presença nessas, de imagens de poetas de diversos países. Propositalmente, Antologia Poética acompanhou a obra de Bruscky Leilão de Deus (2012), emitindo crítica ácida ao mercado da fé, ambas, sutileza e ironia, simplicidade e complexidade. Não posso me furtar a mencionar o belíssimo trabalho de Montejo Navas, O Sonhador (2012), que capturou meu olhar pela junção de materiais, poética e possibilidade de fazer pensar/sentir com o corpo todo na dimensão do demasiadamente humano. Uma garrafa de vidro transparente, dentro algodão branco. Na beira da boca da garrafa, uma miniatura de figura humana masculina sentada à beira do abismo, suas pernas cruzadas, à espera.

Também Bruscky — instigado pelas lembranças compartilhadas com Lula no Recife nos anos 1970 e depois em muitos encontros reais e virtuais entre o Rio de Janeiro e o Recife, e com Adolfo, cuja interlocução e cumplicidade já data de anos — produziu dois retratos, rendendo-lhes uma homenagem afetuosa e certamente bem-humorada, com a obra Farmácia 2012. Uma instalação composta por trabalhos novos e antigos, que, como todo retrato, desenhava uma narrativa íntima dos dois amigos. Com a mesma sensibilidade, Paulo Bruscky também homenageia os amigos/artistas em seu texto/obra EULULADOLFO, impresso neste catálogo. A Lula, ele devolve simbolicamente um cartaz desenhado por este na década de 1970. A Adolfo, Bruscky presenteia com uma foto do trabalho Cozinha, obra de Montejo Navas, feita por Bruscky em 2004 em uma de suas muitas visitas à casa do amigo.

Sem Título Algum produziu ruídos poéticos provocativos causados tanto ao meio da arte quanto ao espaço que lhe acolheu, constituindo outro lugar de práticas e experimentações estéticas. Ausências de títulos, de autorias, de espaços demarcados por uma museografia protocolar, provocando nos visitantes o desejo de trilhar e de produzir sua própria escrita. Isso tudo edificou índices reveladores de produções de novos sentidos e estreitou os laços de afetividade e de uma amizade proclamada.


De Homens, Maquinas e Sonhos | Paulo Bruscky

Considerado um dos mais renovadores da cena artística contemporânea do Recife e possuidor de um importante arquivo de arte conceitual e multimídia, o artista Paulo Bruscky apresenta, na Amparo 60 Galeria de Arte, no Pina, a exposição “De homens, máquinas e sonhos”. Trata-se de uma coletânea inédita que reúne as experimentações com máquinas que concretizam em linhas ondas cerebrais, iniciadas na década de 1970, e todos os filmes e intervenções urbanas já realizadas por Bruskcy ao longo de sua carreira. A exposição, que tem curadoria de Cristiana Tejo, pode ser conferida de 23 de agosto a 29 de setembro.

Os trabalhos têm em comum uma referência ao universo das invenções das máquinas e suas subversões. Algo que nasce de sonhos e que ao serem concretizados podem tanto ser usados para o bem como para a destruição. As duas pontas da exposição são uma instalação com escadas de aviões, que não levam a lugar nenhum, e um conjunto de desenhos feitos a partir de encefalogramas, intitulado “Meu Cérebro desenha assim”. O primeiro trabalho, criado especialmente para esta mostra, foi pensado antes da tragédia envolvendo o avião da TAM. “Mas depois dela, adquiriu um sentido de melancolia, pesar e fracasso”, salienta Cristina.

A instalação traz escadas de aviões que chegam ao teto, mas não onde deveria ser a aeronave, na verdade há um vazio, e nele uma foto de Bruscky em tamanho natural, vestindo paletó e gravata e segurando um grande gelo baiano com alças, como se fosse uma mala. Uma referência direta ao momento político brasileiro, arrematando o sentido de desvio de função da tecnologia que, para o artista, também têm tudo a ver com as consequências e o desmembramento do acidente. O trabalho é complementado por uma série de livros chamada intersignes (que fazem referência à aerofotogrametria, datados de 1993), formando um aglomerado de cidades vista do alto, como se olhadas da janela de um avião no ar.

Por outro lado, Meu Cérebro Desenha Assim assinala a capacidade do artista de desviar a funcionalidade para criar poesia, esgarçar ainda mais a fronteira entre arte e o mundo/ciência. “Faço eletroencefalogramas em mim mesmo desde a década de 1907 e venho trabalhando em cima deles. Fico pensando em coisas terríveis, alegres, intermediárias, e isso afeta o traçado. Desenho com o cérebro, com o pensamento”, afirma Bruscky. Ao todo são 10 trabalhos ampliados para as dimensões de 1,00 x 0,80m, com intervenções coloridas e em preto e branco, com xérox, que dão ideia de movimento.

Os desenhos recebem o complemento de recortes de jornal que dão conta dos avanços da tecnologia. No final dos anos 1970, Paulo Bruscky fez uma série de proposições para colocar a ciência a serviço da poesia. Em uma delas, anuncia o interesse de construir uma máquina de filmas sonhos – os que sonhamos de noite, pequenos filmes produzidos pelo inconsciente. A máxima  de Santos Dumont “Tudo o que um homem sonhar outro pode realizar” é importante referência para o artista. O criador do avião, aquela máquina que nos dá asas e que falha na mão dos homens, condensa o posicionamento de Paulo Bruscky diante a arte.

“De homens, máquinas e sonhos” traz, por fim, a projeção de 10 filmes de artistas e 10 intervenções urbanas de Bruscky, reunidos pela primeira vez em uma mostra. Destaque para a que retrata o fechamento da Ponte Murício de Nassau, no centro do Recife, com uma fita e um laço, na faixa de pedestres, no auge da ditadura, em 1973.

Paulo Bruscky – As experiências de Bruscky com áudio-arte, vídeo arte, artdoor e xerografia são apontadas como pioneiras dentro das discussões acerca da utilização de novos meios na arte brasileira. Entre as décadas de 1970 e 1980, realizou 30 filmes de artista/videoarte. Em 1980, inventou os “xerofilmes”, que são filmes feitos a partir de imagens xerográficas, abrindo um novo campo para o desenho animado e o cinema experimental. A partir de 1983 iniciou as vídeo-instalações. Já participou de 60 mostras realizadas no Brasil em países como Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Portugal, Itália e Espanha.

Habite-se | Márcio Almeida

As Demarcaçõess de Márcio Almeida

Conheço o artista Márcio Almeida e o seu trabalho dis/forme em relação à SituAção através de suas propostas/instalações, sempre com referências ao ser humano e seus questionamentos. Nas palavras do artista, uma das funções do seu projeto “é gerar o pensamento e o questionamento do global em contraposição com o local”. O próprio título da exposição faz uma alusão ao/à documento/licença da prefeitura para liberação do imóvel para habitação, e esta exposição composta de fotografias, cerca de sessenta obeliscos (feitos a ferro soldado, do tipo vergalhão, e cuja oxidação também é incorporada à sua ideia) e um videorregistro feito por Oriana Duarte em função do arrombamento do seu carro (que, ao prestar queixa na polícia, filmou a vidraça quebrada e o obelisco deitado num banco, tendo passado despercebido pelo ladrão), é apenas uma parte do registro de seu projeto obelisco andarilho (ao contrário dos obeliscos convencionais, que são grandes, imponentes e imóveis e servem para registros de marcos históricos), que já transitou por diversas cidades brasileiras e também no exterior, a exemplo de Paris, Londres, Roma e Berlim, entre outras. Esses objetos foram retirados da sua produção de desenhos/pinturas, em que estavam sempre representados.

Observando as fotos tiradas na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, o artista percebeu um fato curioso, que é a ausência de sombra do obelisco nas fotos tiradas nas ruas em plena luz do dia. Ao entregar o seu objeto para as pessoas, ele recebeu uma documentação foto/gráfica bastante diversificada no que se refere a situAções/habitações/lembranças de locais bastante inusitados, como banheiros, praças (numa delas um guarda protege o obelisco), lojas, fundo do mar, superposições com monumentos, enfim, uma série de registros que merecem uma análise sociológicas e antropológica. Em uma série de fotografias do seu work in progress, as projeções das sombras dos obeliscos se confundem como próprio objeto, gerando uma perspectiva inovadora. Sendo Márcio Almeida um artista pesquisador nato e multimídia, esta propostAção não é um trabalho isolado na sua diversificada e inteligente produção. Ele é um dos poucos artistas brasileiros, ao lado de Nelson Félix e Eleonora Fabre, a trabalhar com GPS (Global Position System), que o público pernambucano pôde conhecer quando da sua participação como artista convidado do 45º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, realizado na Fábrica da Tacaruna em 2002/2003, quando ele montou a sua obra intitulada De-Formação (Ação/Marcação na parte interna e externa da fábrica e segundo depoimento do próprio artista “(…) deu seqüência à série Ação/Marcação, utilizando instrumentos de localização por satélite, o GPS. De-Formação investigou posições e deslocamentos em uma ação marcada por três etapas: registro e marcação de um determinado ponto, a partir das coordenadas da latitude e longitude; interferência do artista nesse lugar, retirando a matéria (areia) e substituindo-a por água; e transposição da matéria (areia) para o espaço expositivo, sobrepondo as matérias de dois pontos geográficos distintos”.

Além da produção citada acima, Márcio realizou diversas intervenções urbanas e recentemente um trabalho bastante conceitual, que foi a transposição de um barraco de uma favela para o Museu de Arte Contemporânea de Olinda/2006, como projeto de pesquisa contemplado no último Salão de Arte Contemporânea do Museu do Estado de Pernambuco. Ele também tem uma produção  significativa nos seus trabalhos de vídeo, o exemplo  do Direita/Esquerda, Mani-Oca, Game Over, Delivery e PA #1, 2 E 3, entre outros que, de uma certa forma, estão sintonizados com sua produção como um todo.

Por fim, faço uso de uma outra frase do artista que resume muito bem a sua proposta: “O trabalho fala pouco e pergunta muito mais”.

Arte em trânsito.
Hoje, a arte é este comunicado.
Texto: Paulo Bruscky

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