Marcio Almeida – Ver-De-Vir

 

Depois de nove anos sem expor na  Amparo 60, o artista plástico Márcio Almeida volta a ocupar a galeria com a exposição VER-DE-VIR – Caminhos de um bicho geográfico. Nela serão apresentadas 25 obras – nos mais variados suportes, desenhos, objetos, fotografias, performance e instalações – desenvolvidas pelo artista entre 2012 e 2014 e ainda inéditas na cidade.

Neste projeto, seu olhar e interesse concentram-se em temas do comportamento humano, ligados à noção de deslocamento, transitoriedade e pertencimento – naturais da própria condição humana. As obras sugerem ainda um debate sobre questões de geopolítica e de ocupação do espaço urbano. “Desde o início de minha carreira, no final dos anos 1980, esses temas percorrem meus trabalhos. Ainda como estudante de Zootecnia, interessei-me por Etologia (Estudo do comportamento Animal), em especial os estudos dos processos migratórios.  Hoje, o tema é muito explorado na arte contemporânea, devido ao crescimento no número de descolamentos, principalmente externos, entre países e continentes, ainda que o número de deslocamentos internos também ocorra em larga escala”, contextualiza.

Márcio Almeida iniciou a pesquisa Deslocamentos Compulsórios, em 2003, e, desde então, vem se acercando de situações nas quais os indivíduos são levados a deixarem os locais onde vivem por força de agente externos, sejam eventos climáticos, políticas habitacionais, asilos políticos, conflitos afetivos, entre outros. “Os trabalhos têm como ponto de partida a observação das pessoas em seu habitat, suas relações pessoais e com o próprio lugar, as estratégias usadas para adaptar-se ao novo lugar e marcas por elas deixadas nos lugares por onde passam”, detalha.

Das 25 obras que serão exibidas, a única já apresentada ao público é JET LAG (2014), criada pela Equipe S/A (Daniel Santiago e Márcio Almeida), exposta em Londres, este ano, porém com outra montagem. Todo essa produção mantém um diálogo forte com as últimas mostras realizadas pelo artista, tanto no Recife, em 2012, na mostra Contra Uso, no Santander Cultural, quanto na sua participação em O Abrigo e o Terreno, realizada no Museu de Arte do Rio de Janeiro – MAR, em 2013. Inclusive, a obra Where to?, que foi adquirida para compor o acervo dessa instituição.

SERVIÇO

Márcio Almeida – VER-DE-VIR – Caminhos de um bicho geográfico

Abertura 9 de junho de 2015, às 19h

Visitação de 10 de junho a 16 de julho de 2015.

Segunda a sexta, das 9 às 18h.

Sábados com agendamento prévio.

 

Galeria Amparo 60
Av. Domingos Ferreira, 92 A
Pina, Recife – PE

+55 81 3033 6060

Habite-se | Márcio Almeida

As Demarcaçõess de Márcio Almeida

Conheço o artista Márcio Almeida e o seu trabalho dis/forme em relação à SituAção através de suas propostas/instalações, sempre com referências ao ser humano e seus questionamentos. Nas palavras do artista, uma das funções do seu projeto “é gerar o pensamento e o questionamento do global em contraposição com o local”. O próprio título da exposição faz uma alusão ao/à documento/licença da prefeitura para liberação do imóvel para habitação, e esta exposição composta de fotografias, cerca de sessenta obeliscos (feitos a ferro soldado, do tipo vergalhão, e cuja oxidação também é incorporada à sua ideia) e um videorregistro feito por Oriana Duarte em função do arrombamento do seu carro (que, ao prestar queixa na polícia, filmou a vidraça quebrada e o obelisco deitado num banco, tendo passado despercebido pelo ladrão), é apenas uma parte do registro de seu projeto obelisco andarilho (ao contrário dos obeliscos convencionais, que são grandes, imponentes e imóveis e servem para registros de marcos históricos), que já transitou por diversas cidades brasileiras e também no exterior, a exemplo de Paris, Londres, Roma e Berlim, entre outras. Esses objetos foram retirados da sua produção de desenhos/pinturas, em que estavam sempre representados.

Observando as fotos tiradas na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, o artista percebeu um fato curioso, que é a ausência de sombra do obelisco nas fotos tiradas nas ruas em plena luz do dia. Ao entregar o seu objeto para as pessoas, ele recebeu uma documentação foto/gráfica bastante diversificada no que se refere a situAções/habitações/lembranças de locais bastante inusitados, como banheiros, praças (numa delas um guarda protege o obelisco), lojas, fundo do mar, superposições com monumentos, enfim, uma série de registros que merecem uma análise sociológicas e antropológica. Em uma série de fotografias do seu work in progress, as projeções das sombras dos obeliscos se confundem como próprio objeto, gerando uma perspectiva inovadora. Sendo Márcio Almeida um artista pesquisador nato e multimídia, esta propostAção não é um trabalho isolado na sua diversificada e inteligente produção. Ele é um dos poucos artistas brasileiros, ao lado de Nelson Félix e Eleonora Fabre, a trabalhar com GPS (Global Position System), que o público pernambucano pôde conhecer quando da sua participação como artista convidado do 45º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, realizado na Fábrica da Tacaruna em 2002/2003, quando ele montou a sua obra intitulada De-Formação (Ação/Marcação na parte interna e externa da fábrica e segundo depoimento do próprio artista “(…) deu seqüência à série Ação/Marcação, utilizando instrumentos de localização por satélite, o GPS. De-Formação investigou posições e deslocamentos em uma ação marcada por três etapas: registro e marcação de um determinado ponto, a partir das coordenadas da latitude e longitude; interferência do artista nesse lugar, retirando a matéria (areia) e substituindo-a por água; e transposição da matéria (areia) para o espaço expositivo, sobrepondo as matérias de dois pontos geográficos distintos”.

Além da produção citada acima, Márcio realizou diversas intervenções urbanas e recentemente um trabalho bastante conceitual, que foi a transposição de um barraco de uma favela para o Museu de Arte Contemporânea de Olinda/2006, como projeto de pesquisa contemplado no último Salão de Arte Contemporânea do Museu do Estado de Pernambuco. Ele também tem uma produção  significativa nos seus trabalhos de vídeo, o exemplo  do Direita/Esquerda, Mani-Oca, Game Over, Delivery e PA #1, 2 E 3, entre outros que, de uma certa forma, estão sintonizados com sua produção como um todo.

Por fim, faço uso de uma outra frase do artista que resume muito bem a sua proposta: “O trabalho fala pouco e pergunta muito mais”.

Arte em trânsito.
Hoje, a arte é este comunicado.
Texto: Paulo Bruscky

Terça a sexta: 10 às 19h
Sábado: 11 às 17h

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Boa Viagem | Recife | Pernambuco