Exposição “Rede de Memórias” de Luiz Hermano.

Curadoria de Ricardo Resende.

Vernissage: 04 de Agosto (terça-feira) das 19h às 23h.

Visitação até 10 de Setembro.
De segunda à sexta, das 9h às 18h.

 

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Rede de Memórias
Luiz Hermano
A exposição Rede de Memórias, apresentada na Galeria Amparo 60, traz para o Recife um apanhado da obra do artista Luiz Hermano, cearense radicado em São Paulo há mais de 40 anos.

Não seria mais o caso começar uma apresentação como esta, pois o artista já tem, depois de tanto tempo vivendo em São Paulo, internalizado o ser paulistano acelerado no seu processo criativo. Hermano cria compulsivamente. Todos os dias tem na sua rotina desenhar e tecer suas esculturas.

Mas dou esta referência de sua origem porque não é possível dissociar suas esculturas, desenhos e instalações das suas raízes e memórias cearenses misturadas hoje com a vida em uma cidade da enormidade de São Paulo.

Para Luiz Hermano, o fazer artístico está incorporado no ser que transpira sua própria obra.

Generoso, pesquisa seu material preocupado em fazer “uma arte bonita e poética para mostrar uma beleza simples” encontrada no seu cotidiano. De quando ainda criança, recorda-se de suas experiências da vida interiorana do Ceará. De ter crescido embalado em uma rede, de ver a vida passar no mesmo abrigo dessa mesma rede. De ficar horas escutando o silêncio da casa materna. Silêncio só quebrado por uma televisão ruidosa na sala. Pelos sons vindos da cozinha. Pelos piados das galinhas no quintal.

Esta cosmologia se junta a da cidade grande na miríade de cores dos neons, no colorido das propagandas das TVs de plasma que se espalham pelas ruas, no pontilhado noturno que se forma com as luzes que vazam pelas janelas e iluminam as noites de São Paulo, desenhando os seus prédios.

O artista transmite à feitura dos seus trabalhos a sua experiência cearense e paulistana com aquela que busca nas suas viagens ao redor do mundo, conhecendo novas civilizações e o dia a dia desses lugares.

Dedica-se a apanhar representações mínimas dessas culturas, das relações sociais, nas cores, nas formas, etc. que, através do seu olhar atento, são traduzidas para a sua obra numa linguagem estética muito particular, formando uma rede de referências estéticas e culturais.

Borda com arame, fio de cobre, usa pedras coloridas, capacitores resistores, utensílios de cozinha, brinquedos e uma infinidade de coisas que pesquisa e adquire nos comércios e feiras do mundo afora. Cria suas redes com estes materiais diversos que vemos em sua obra. São rizomas visuais que exigem mais do que “ver” de quem observa, mas entender o processo minimalista ao qual se dedica, representado nas suas obras por materiais com os quais se depara na sua pesquisa, retirando-os do seu contexto de mercadorias.

A cosmologia do que o cerca, trazida da infância e da vida adulta, é o que transborda em suas esculturas e instalações vistas na Galeria Amaparo 60, que fazem parte desse mundo encantado e sensorial em que ele habita.

A sua matéria artística mais preciosa é a memória que, por suas mãos, transforma-se em uma espécie de “poeira cósmica” que se espalha pelo espaço da exposição em formas disformes, em “bordados” que brilham, em desenhos de redes ligadas pelos sonhos.

Sua obra é espaço do encantamento, de alumbramento. São essas as questões que estão em sua poética. Como em todas as suas exposições, as suas esculturas e desenhos pedem uma exploração sensorial visual e tátil de quem os observa.

Não há elementos preciosos, pobres ou desinteressantes. Tudo pode se tornar parte de suas insólitas, engraçadas e estranhas engenhocas.

Sonhar é a faculdade que está na base de toda a sua obra. Uma peça dá caminho para outra ou forma uma família de trabalhos, que também pode desencadear em outra série de esculturas. Luiz Hermano transita de um material a outro fazendo, tecendo, amarrando, amassando, ajuntando.

É o fazer artístico que nasce antes nas suas próprias mãos.

Ricardo Resende
Curador

Galeria Amparo 60
Av. Domingo Ferreira, 92 A
Pina | Recife

+55 81 3033 6060

 

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Contrapontos – Alex Flemming e Luiz Hermano

Acontece no Museu de Arte Sacra a mostra  Contrapontos – Arte Contemporânea em Terreno Barroso que conta com a participação de Alex Flemming e Luiz Hermano.

Mais informações:

Museu de Arte Sacra de São Paulo
Av. Tiradentes, 676, Luz São Paulo – SP
Estação Tiradentes do Metrô

Tramando Mundos | Luiz Hermano

A exposição de Luiz Hermano “Tramando Mundos” apresenta o interesse cosmológico do artista em obras feitas entre 1980 e 2011. Formar mundos e meditar sobre a matemática do universo são interesses que unem todas as obras, desde as aquarelas com temas míticos às mais recentes grades geométricas. Como se colocasse em jogo tentativas de compreensão da origem e possibilidades de conexão com o universo, Hermano busca em várias culturas as estruturas para suas composições intrincadas, tecidas pela mão que vai pensando as tramas, enquanto a mente se esvazia da banalidade do cotidiano. A mão se move rápida e pensa com contas de plástico, capacitores eletrônicos, tubos de alumínio…

Religião, consumismo e tecnologia estão trançados nos fios de arame de Hermano. Na Tailândia, na India, na China, o artista encontrou estátuas de budas em construções milenares, erguidas segundo a geometria sagrada e se encantou com mandalas que esquematizam o universo. Mas também passeou pelas ruas de comércio de quinquilharias de plástico, de brinquedos piratas, de computadores de procedência duvidosa. O sagrado é aqui enovelado com o profano, pois o artista não pretende escapar do mundo cotidiano, mas achar nele mesmo a transcendência.

Luiz Hermano medita enquanto faz suas obras. Ele entra em um estado mental similar ao da criança brincando, e enquanto sincroniza o movimento de suas mãos com a frequência de suas ondas cerebrais, ergue uma área onde a ilusão de ser um com o universo se integra com a consciência de ser separado desse universo. Nas tramas criadas por Luiz Hermano, a ilusão de estar em controle e ser capaz de mapear o mundo construindo objetos coexiste em paz com a frustração de ser um ente de duração finita em um universo que existe em um tempo infinito.

Luiz Hermano nasceu em Preaoca, Ceará, e nos últimos 30 anos teve seus trabalhos apresentados nas principais instituições de arte do Brasil, como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake, Centro Dragão do Mar, Museu de Arte Moderna de São Paulo e Rio de Janeiro, MAC-USP, MASP,  além de participar da Bienal de São Paulo em 1987 e 1991, e da Bienal de Curitiba em 2009.

Texto: Paula Braga

 

Extinto | Luiz Hermano


Em vez de se expandirem para fora, em direção ao espaço circundante, um denominador comum da maioria das instalações e outras variantes da noção clássica de escultura, os trabalhos de Hermano privilegiam a membrana que separa seu interior do mundo. Sob a forma de volumes de superfícies porosas, intricadas e espessas, relevos fixados na parede e até próteses que se aplicam ao corpo, em qualquer caso suas construções atraem o nosso olhar para perto, para a pele e daí para as entranhas da pele, levando-o a constatar que os corpos, a contar de seus limites, são, parafraseando Herberto Helder “um texto que se multiplica por dentro, sem crescer, cruzado incessantemente por túneis, corredores e caminhos de pronúncia áspera”. (“Poesia toda”, Lis

 

boa: Assírio Alvim, 1981, p.381).

 

Texto: Agnaldo Farias

Fragmento do texto Luiz Hermano – Jogando com Limites

 

Terça a sexta: 10 às 19h
Sábado: 11 às 17h

+55 81 3033.6060

vendas@amparo60.com.br

Rua Artur Muniz, nº 82, 1º andar, salas 13 e 14 (Entrada pelo restaurante Alphaiate)
Boa Viagem | Recife | Pernambuco