HIGHLIGHTS maio-2017

Bárbara Wagner e Benjamin de Búrca

Aspirations (Aspirações) é a primeira exposição de museu dedicada aos filmes colaborativos desenvolvidos pela dupla. Os três filmes em exibição no Museu de Arte Contemporânea Detroit apresentam performances representativas da autenticidade das manifestações culturais brasileiras, expressões que vão da música a dança, e da prática espiritual a vida noturna. A mostra exibe os trabalhos “Faz Que Vai” (Set to Go, 2016), também em exibição na exposição Evoé na Amparo 60, “Estás Vendo Coisas” (You Are Seeing Things, 2017), e “Terremoto Santo” (Holy Tremor, 2017), até 20 de agosto no MOCAD (Museum of Contemporary Art Detroit).

Carlos Mélo

O artista tem a sua mostra individual “A Palavra Vista Por Dentro” em exibição no Sesc Juazeiro do Norte. A exposição é resultado de uma residência seguida de uma expedição iniciada em Santana do Cariri, município do Ceará, desde 2015, seguindo pelos estados da Paraíba e Pernambuco a fim de pesquisar a polissemia da palavra Cariri.

Gilvan Barreto

Com o trabalho Postcards from Brazil, um mapeamento das paisagens brasileiras marcadas por crimes da ditadura, o artista venceu o Prêmio Pierre Verger na categoria inovação e experimentação na fotografia. A edição 2017 recebeu número recorde de inscritos.

José Rufino

No dia 23 de maio o artista recebeu o Prêmio Mário Pedrosa, na categoria artista contemporâneo, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) em cerimônia realizada no Teatro do SESC Vila Mariana.

Marcelo Silveira

Encerrou-se no dia 19 de maio a residência do artista em Belo Jardim, onde ocupou a antiga fábrica de mariola da cidade, transformando em ateliê e expaço expositivo durante dois meses. A convite do Instituto Conceição Moura, e com curadoria de Cristina Tejo e Kiki Mazzuchelli, Marcelo levou a cidade a união entre obras realizadas e inciativas pensadas especificamente para o município.

Márcio Almeida

O artista é um dos selecionados para a próxima Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul – BIENALSUR, prevista para ano que vem em Porto Alegre. O trabalho escolhido, intitulado “The Noble Experience”, consiste na produção de uma série de garrafas de aguardente artesanal produzida em penitenciárias e cadeias públicas do Recife.

Paulo Bruscky

O artista é um dos 4 brasileiros na Bienal de Veneza de 2017, onde apresentou sua performance/instalação “Arte se embala como se quer”, realizada no Pavilhão Internacional da Bienal, a performance “Poesia Viva”, duas vezes no Peggy Guggenheim, e “Poema Lingústico”. Em New York, Paulo Bruscky participou no dia 24 de maio do workshop xeroperformance no America’s Society.

Rodolfo Mesquita – A Forma Custa Caro

CEPE Editora apresenta:

Uma vida desenhada entre linhas, palavras e críticas necessárias.
Lançamento do Livro: Rodolfo Mesquita – A forma custa caro.

Convidamos a todos para o lançamento do livro: “Rodolfo Mesquita – A forma custa caro, organizado por João Lima. Em alto padrão gráfico, o livro faz uma coletânea de algumas artes de Rodolfo: uma obra de forte teor crítico sobre o comportamento humano, essencial à vida do artista. No dia do lançamento, em homenagem a Rodolfo, haverá também a inauguração de uma exposição de arte com suas obras. Imperdível.

Programação:

Lançamento do Livro e inauguração da exposição em homenagem ao artista.
Quarta-feira, 24 de maio, às 19h.
Local: MEPE (Museu do Estado de Pernambuco)
Av. Rui Barbosa, 960 – Graças, Recife
Fones: (81) 3184-3171 / (81) 3184- 3178

Exposição – Evoé

Na Mitologia Romana “Evoé” era o grito ou brado alegre de exaltação ou intensa alegria usado nos bacanais, para evocar e saudar Baco (ou Dionísio, na mitologia grega) Deus do vinho, da ebriedade e dos excessos. “Evoé” foi assimilado pelo carnaval, ainda hoje durante o reinado de Momo, é usado como saudação, sobretudo aqui na capital do frevo, tanto que ganhou forma de frevo-canção composto por Nelson Ferreira em 1931, sua maneira de homenagear esse espírito de alegria.

É tomado por esse espírito que a exposição coletiva “Evoé” se apresenta, especialmente pensada para comemorar o momento que a Galeria Amparo 60 avança algumas quadras para se fixar no Edifício Califórnia. Projetado por um dos mais importantes arquitetos e urbanistas brasileiros, Acácio Gil Borsoi, o Califórnia tem valor singular para a história e memória do modernismo na cidade do Recife. Foi um dos primeiros edifícios construídos na orla da praia, projetou uma nova relação de convivência entre as pessoas, a cidade e a paisagem.

Segundo Hans-Georg Gadamer o sentido de festa é de coletividade, celebração para todos. A experiência de festa, impede o isolamento de alguém, e esse espírito de coletividade e integração é o que faz dela uma expressão artística. Por isso a exposição que inaugura a nova fase da Galeria Amparo 60 convoca todos os 35 artistas que fazem parte do seu casting. Festa não tem seleção e isolamento, festa agrega. Suas obras foram escolhidas a partir desse espírito de celebração e da relação com a cidade do Recife, e contaminadas pelo modernismo singular de Borsoi, se acumulam nas paredes do Califórnia para apresentar um panorama da diversidade artística da Galeria. Para além de uma curadoria, a exposição “Evoé”é uma celebração, uma festa, um estado de espírito que agora ocupa a Amparo 60. EVOÉ AMPARO 60!

 

SERVIÇO

Exposição: Evoé

Curadoria: Douglas de Freitas

Abertura: 25 de março de 2017

Visitação: de 28 de março de 2017 a 27 de maio de 2017. Terça a sexta, das 10 às 19h e sábado das 11h às 17h.

Galeria Amparo 60

Rua Artur Muniz, nº 82, sobrelojas 13 e 14 do Edifício Califórnia (entrada pelo restaurante Alphaiate)

Boa Viagem, Recife – PE

+55 81 3033.6060

Exposição – Com Pacto de Marcelo Silveira

Marcelo Silveira e a arte de fazer pactos

Galeria Amparo 60 recebe a mostra Compacto, com mais de 30 obras do artista pernambucano, com curadoria de Joana D´Arc Lima

No próximo dia 17 de novembro, a galeria Amparo 60 abre seus salões para a exposição Compacto, do artista pernambucano Marcelo Silveira, com curadoria de Joana D´Arc Lima. Serão pouco mais de 30 obras – algumas mais recentes e outras mais antigas –, todas em dimensões mais reduzidas, mas que se sobressaem pela delicadeza, pelo detalhe, pelo pequeno, pelo menor, sem deixar de ser representativas da poética desenvolvida pelo artista ao longo dos seus mais de 30 anos de trajetória artística.

Para Silveira, que volta a ocupar o espaço da Amparo 60 pela segunda vez, essa mostra é um modo de tentar estabelecer conversas com instâncias do mundo da arte que, pelo menos em Pernambuco, aparentam estar muito afastadas. “Não sei, mas aqui temos galeristas que não frequentam outras galerias, artistas que não vão as mostras de outros artistas, museus e galerias de arte que não se articulam… Para a engrenagem funcionar, precisamos que todos conversem, entrem em contato, dialoguem. Trata-se de uma cadeia produtiva”, pontua o artista, ressaltando que essa ideia de estabelecer pactos é central na mostra.

Segundo a curadora, nos diversos encontros que tiveram para executar o recorte da mostra, ficou clara a necessidade de criar uma espécie de pacto entre as obras, colocando-as num contexto para que dialogassem. “Nossa ideia é que esses pactos que criamos sejam refeitos ao longo do tempo, reposicionando algumas obras, vamos gerar novas conversas, novos ruídos, nossa ideia é brincar com essa ressignificação”, diz Joana D´Arc.

O poeta Manoel de Barros, que comemoraria 100 anos neste mês de dezembro, foi inspirador no processo de seleção das peças. A dupla leu junto, discutiu, e colocou “o poeta” em contato com as obras. “Nos inspiramos na ideia de Manuel de Barros: ‘O cisco tem agora para mim uma importância de catedral’. (Retrato do artista quando coisa, Manoel de Barros, p. 23)”, destaca Joana.

Entre as obras, estarão peças bi e tridimensionais (objetos, livros de artista, múltiplos, vídeos, lambe), feitos nos mais diversos materiais, tendo a madeira, matéria-prima tão estimada pelo artista, um papel bastante especial. “Parte deles estava adormecida a espera de um momento certo para serem postos em diálogo”, diz a curadora. O foco nos objetos em menor escala se justifica através do conceito de compactibilidade. Para facilitar a circulação e o deslocamento é preciso compactar. “Fazer a portabilidade de uma coisa, estimulando seu trânsito, seu contato com os outros, é mais fácil quando ela é compacta”, diz Silveira.

A montagem da mostra conta com mesas que vão deixar o ateliê e a casa de Marcelo Silveira para serem postas nos salões da galeria, recebendo alguns dos objetos, passando a ser ressignificadas naquele novo ambiente. Para Silveira, a mesa é bastante simbólica, pois o momento das refeições foi durante anos um espaço de diálogo, de conversa, de troca. “Não se trata de um mero mobiliário expositivo, a mesa via estar ali dentro de um contexto”, afirma.

Os trabalhos em exposição trazem características marcantes do trabalho de Silveira, que utiliza, habitualmente, coisas e objetos esquecidos, técnicas e procedimentos obsoletos, na construção de sua poética, colocando diversas camadas de tempo em diálogo. “Essa exposição está vinculada a anterior, realizada por Marcelo, há dois anos, no Mamam, Especialista em coisas inúteis. Não dá para separar. É incrível o enorme cuidado que ele tem com o seu fazer, e também o seu rigor formal, algo invejável, algo que poucos artistas contemporâneos têm. São idas e vindas, avanços e voltas, que produzem elos entre essas mostras, entre tempos que se conversam”, detalha a curadora, que apesar de ter contato intenso com o artista há anos, nunca havia feito uma curadoria de uma mostra individual de Silveira, que nos últimos 15 anos se consolidou como um nome muito forte no cenário artístico nacional.

SERVIÇO

Exposição: Compacto, de Marcelo Silveira

Curadoria: Joana D´Arc

Abertura: 17 de novembro de 2016, às 19h

Visitação: de 18 de novembro de 2016 a 20 de janeiro de 2017. Segunda a sexta, das 9 às 13h e das 14h às 19h.

Sábados das 10 às 14h (Com agendamento prévio)

Galeria Amparo 60

Av. Domingos Ferreira, 92 A

Boa Viagem, Recife – PE

+55 81 3033.6060

Exposição – Projeto 3 Cidades

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O artista plástico pernambucano José Paulo teve um 2015 movimentado. A partir do projeto3 Cidades, realizado com incentivo do Funcultura e apoio do Sesc, ele realizou uma extensa pesquisa em três diferentes cidades do agreste e sertão pernambucano (Belo Jardim, Petrolina e Garanhuns), nas quais mesclava residência com deslocamento para compor novas obras, além de referências e reflexões para somar à sua extensa trajetória.

 

A proposta, que inicialmente parece simples – visitar três cidades distintas e produzir trabalhos resultantes dessa experiência para serem expostos nos espaços expositivos do Sesc nesses locais – culminou numa profunda imersão na vida do interior, levantando questões como urbanidade, pertencimento e reapropriação.

 

Do inquietante processo de criação, resultaram as obras O pinguim e o jardim de palmas e A praça (Belo Jardim); Sol estranho (Petrolina); e Saudade danada (Garanhuns), que, após expostos no seus respectivos locais de origem – que propositalmente abrangem uma vasta área do interior do Estado –, chegam agora ao Recife.

 

Como norte para a realização da pesquisa nas cidades, Zé Paulo se baseou na dinâmica utilizada em um trabalho anterior:Labirinto caruaruense. Realizado durante uma visita à “capital do Agreste” para a Bienal do Barro, ele mergulhou nas vivências e na urbanidade de Caruaru.

 

Exposição CO(S)MIC, por Kilian Glasner

A Galeria Amparo 60 tem o prazer de convidar para a exposição CO(S)MIC, por Kilian Glasner:

Essa nova safra de obras de Kilian Glasner, reunidas em torno de “Co(s)mic”, parece flagrar um instante de sua carreira no qual detectamos a confluência de referências que lhe são caras e que surgem agora imbricadas: a cosmogonia, a estética comic e a Pop Art. Desse mistura inusitada de referências à história da arte e também à história da linguagem, percebemos tanto a ideia da expansão do universo, como a explosão da paleta de cores que foge por completo a uma mimese das cores encontradas na natureza. Seja nas luzes que transpassam suas nebulosas e nos levam para um lugar indeterminado, seja na cintilância que vibra em cores lisérgicas, seu trabalho parece começar abrir caminhos, à golpe de luz e calor, por novos limites. O figurativo, muitas vezes inspirado por fotografias, assume cada vez mais contornos de irrealidade fabular.

Eder Chiodetto

 

Abertura: 10.05 (terça-feira) das 19h às 23h.

Visitação até 08.07.2016

Horários: De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
(Sábados mediante agendamento)

Galeria Amparo 60
Av. Domingos Ferreira, 92 | Pina | Recife

Informações:
(81) 3033 6060 | vendas@amparo60.com.br

Exposição “SUTURAS” de Gilvan Barreto.

Exposição “Suturas” de Gilvan Barreto.

Curadoria: Eder Chiodetto

Vernissage: 17/09 (quinta-feira) das 19h às 23h.

Visitação até 16 de Outubro.

De segunda à sexta, das 9h às 18h.
Sábados mediante agendamento prévio

 

Suturas

Imagem-catarse: garoto segura a mão de um homem adulto ­ seu pai? que flutua feito um balão de gás. O suporte da imagem é uma espécie de pele frágil enrugada, matéria orgânica em transição acelerada. Na metáfora da flutuação, também se desdobram símbolos de transitoriedade: os ciclos da vida, a poética da passagem das gerações, laços afetivos que nos movem e comovem.

A busca de imagens complexas em simbologias e híbridas na forma como articulam suas estratégias formais tem pautado o vigoroso trabalho de Gilvan Barreto nos anos recentes. Para alcançar a legítima expressão de seus projetos, calcados em uma reflexão profunda acerca da existência e dos afetos, sua fotografia passou por um processo vertiginoso de experimentação.

Suturas traz à tona uma constelação de trabalhos que mesclam memórias da infância, histórias familiares e apontamentos sobre a origem e a vulnerabilidade do ser, nossos desterros. A fotografia, tensionada ao máximo em suas potencialidades expressivas, transborda e se amalgama com a literatura, a escultura, o desenho, a colagem e a apropriação.

Processos que levaram Gilvan Barreto a privar-se quase totalmente de fotografar, como era recorrente no início de sua carreira, deslocando-se pelo mundo para editá-lo à sua maneira. Suturas é costura interior. Fotografia dos olhos para dentro. Estado de entropia que especula sobre densos embates interiores e que, por isso mesmo, carregam códigos universais.

Entre a figura etérea do pai que flutua o sonho  e o peso do chumbo em escala desproporcional que, pela força da gravidade, faz ruir o aparentemente sólido a razão , transitam questões metafísicas sobre a nossa indeterminada predestinação que ecoam nessas imagens que perfuram e costuram a pele que teima em não cicatrizar.

Eder Chiodetto

GB

Exposição “Rede de Memórias” de Luiz Hermano.

Curadoria de Ricardo Resende.

Vernissage: 04 de Agosto (terça-feira) das 19h às 23h.

Visitação até 10 de Setembro.
De segunda à sexta, das 9h às 18h.

 

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Rede de Memórias
Luiz Hermano
A exposição Rede de Memórias, apresentada na Galeria Amparo 60, traz para o Recife um apanhado da obra do artista Luiz Hermano, cearense radicado em São Paulo há mais de 40 anos.

Não seria mais o caso começar uma apresentação como esta, pois o artista já tem, depois de tanto tempo vivendo em São Paulo, internalizado o ser paulistano acelerado no seu processo criativo. Hermano cria compulsivamente. Todos os dias tem na sua rotina desenhar e tecer suas esculturas.

Mas dou esta referência de sua origem porque não é possível dissociar suas esculturas, desenhos e instalações das suas raízes e memórias cearenses misturadas hoje com a vida em uma cidade da enormidade de São Paulo.

Para Luiz Hermano, o fazer artístico está incorporado no ser que transpira sua própria obra.

Generoso, pesquisa seu material preocupado em fazer “uma arte bonita e poética para mostrar uma beleza simples” encontrada no seu cotidiano. De quando ainda criança, recorda-se de suas experiências da vida interiorana do Ceará. De ter crescido embalado em uma rede, de ver a vida passar no mesmo abrigo dessa mesma rede. De ficar horas escutando o silêncio da casa materna. Silêncio só quebrado por uma televisão ruidosa na sala. Pelos sons vindos da cozinha. Pelos piados das galinhas no quintal.

Esta cosmologia se junta a da cidade grande na miríade de cores dos neons, no colorido das propagandas das TVs de plasma que se espalham pelas ruas, no pontilhado noturno que se forma com as luzes que vazam pelas janelas e iluminam as noites de São Paulo, desenhando os seus prédios.

O artista transmite à feitura dos seus trabalhos a sua experiência cearense e paulistana com aquela que busca nas suas viagens ao redor do mundo, conhecendo novas civilizações e o dia a dia desses lugares.

Dedica-se a apanhar representações mínimas dessas culturas, das relações sociais, nas cores, nas formas, etc. que, através do seu olhar atento, são traduzidas para a sua obra numa linguagem estética muito particular, formando uma rede de referências estéticas e culturais.

Borda com arame, fio de cobre, usa pedras coloridas, capacitores resistores, utensílios de cozinha, brinquedos e uma infinidade de coisas que pesquisa e adquire nos comércios e feiras do mundo afora. Cria suas redes com estes materiais diversos que vemos em sua obra. São rizomas visuais que exigem mais do que “ver” de quem observa, mas entender o processo minimalista ao qual se dedica, representado nas suas obras por materiais com os quais se depara na sua pesquisa, retirando-os do seu contexto de mercadorias.

A cosmologia do que o cerca, trazida da infância e da vida adulta, é o que transborda em suas esculturas e instalações vistas na Galeria Amaparo 60, que fazem parte desse mundo encantado e sensorial em que ele habita.

A sua matéria artística mais preciosa é a memória que, por suas mãos, transforma-se em uma espécie de “poeira cósmica” que se espalha pelo espaço da exposição em formas disformes, em “bordados” que brilham, em desenhos de redes ligadas pelos sonhos.

Sua obra é espaço do encantamento, de alumbramento. São essas as questões que estão em sua poética. Como em todas as suas exposições, as suas esculturas e desenhos pedem uma exploração sensorial visual e tátil de quem os observa.

Não há elementos preciosos, pobres ou desinteressantes. Tudo pode se tornar parte de suas insólitas, engraçadas e estranhas engenhocas.

Sonhar é a faculdade que está na base de toda a sua obra. Uma peça dá caminho para outra ou forma uma família de trabalhos, que também pode desencadear em outra série de esculturas. Luiz Hermano transita de um material a outro fazendo, tecendo, amarrando, amassando, ajuntando.

É o fazer artístico que nasce antes nas suas próprias mãos.

Ricardo Resende
Curador

Galeria Amparo 60
Av. Domingo Ferreira, 92 A
Pina | Recife

+55 81 3033 6060

 

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Marcio Almeida – Ver-De-Vir

 

Depois de nove anos sem expor na  Amparo 60, o artista plástico Márcio Almeida volta a ocupar a galeria com a exposição VER-DE-VIR – Caminhos de um bicho geográfico. Nela serão apresentadas 25 obras – nos mais variados suportes, desenhos, objetos, fotografias, performance e instalações – desenvolvidas pelo artista entre 2012 e 2014 e ainda inéditas na cidade.

Neste projeto, seu olhar e interesse concentram-se em temas do comportamento humano, ligados à noção de deslocamento, transitoriedade e pertencimento – naturais da própria condição humana. As obras sugerem ainda um debate sobre questões de geopolítica e de ocupação do espaço urbano. “Desde o início de minha carreira, no final dos anos 1980, esses temas percorrem meus trabalhos. Ainda como estudante de Zootecnia, interessei-me por Etologia (Estudo do comportamento Animal), em especial os estudos dos processos migratórios.  Hoje, o tema é muito explorado na arte contemporânea, devido ao crescimento no número de descolamentos, principalmente externos, entre países e continentes, ainda que o número de deslocamentos internos também ocorra em larga escala”, contextualiza.

Márcio Almeida iniciou a pesquisa Deslocamentos Compulsórios, em 2003, e, desde então, vem se acercando de situações nas quais os indivíduos são levados a deixarem os locais onde vivem por força de agente externos, sejam eventos climáticos, políticas habitacionais, asilos políticos, conflitos afetivos, entre outros. “Os trabalhos têm como ponto de partida a observação das pessoas em seu habitat, suas relações pessoais e com o próprio lugar, as estratégias usadas para adaptar-se ao novo lugar e marcas por elas deixadas nos lugares por onde passam”, detalha.

Das 25 obras que serão exibidas, a única já apresentada ao público é JET LAG (2014), criada pela Equipe S/A (Daniel Santiago e Márcio Almeida), exposta em Londres, este ano, porém com outra montagem. Todo essa produção mantém um diálogo forte com as últimas mostras realizadas pelo artista, tanto no Recife, em 2012, na mostra Contra Uso, no Santander Cultural, quanto na sua participação em O Abrigo e o Terreno, realizada no Museu de Arte do Rio de Janeiro – MAR, em 2013. Inclusive, a obra Where to?, que foi adquirida para compor o acervo dessa instituição.

SERVIÇO

Márcio Almeida – VER-DE-VIR – Caminhos de um bicho geográfico

Abertura 9 de junho de 2015, às 19h

Visitação de 10 de junho a 16 de julho de 2015.

Segunda a sexta, das 9 às 18h.

Sábados com agendamento prévio.

 

Galeria Amparo 60
Av. Domingos Ferreira, 92 A
Pina, Recife – PE

+55 81 3033 6060

Terça a sexta: 10 às 19h
Sábado: 11 às 17h

+55 81 3033.6060

vendas@amparo60.com.br

Rua Artur Muniz, nº 82, 1º andar, salas 13 e 14 (Entrada pelo restaurante Alphaiate)
Boa Viagem | Recife | Pernambuco