De Homens, Maquinas e Sonhos | Paulo Bruscky

Considerado um dos mais renovadores da cena artística contemporânea do Recife e possuidor de um importante arquivo de arte conceitual e multimídia, o artista Paulo Bruscky apresenta, na Amparo 60 Galeria de Arte, no Pina, a exposição “De homens, máquinas e sonhos”. Trata-se de uma coletânea inédita que reúne as experimentações com máquinas que concretizam em linhas ondas cerebrais, iniciadas na década de 1970, e todos os filmes e intervenções urbanas já realizadas por Bruskcy ao longo de sua carreira. A exposição, que tem curadoria de Cristiana Tejo, pode ser conferida de 23 de agosto a 29 de setembro.

Os trabalhos têm em comum uma referência ao universo das invenções das máquinas e suas subversões. Algo que nasce de sonhos e que ao serem concretizados podem tanto ser usados para o bem como para a destruição. As duas pontas da exposição são uma instalação com escadas de aviões, que não levam a lugar nenhum, e um conjunto de desenhos feitos a partir de encefalogramas, intitulado “Meu Cérebro desenha assim”. O primeiro trabalho, criado especialmente para esta mostra, foi pensado antes da tragédia envolvendo o avião da TAM. “Mas depois dela, adquiriu um sentido de melancolia, pesar e fracasso”, salienta Cristina.

A instalação traz escadas de aviões que chegam ao teto, mas não onde deveria ser a aeronave, na verdade há um vazio, e nele uma foto de Bruscky em tamanho natural, vestindo paletó e gravata e segurando um grande gelo baiano com alças, como se fosse uma mala. Uma referência direta ao momento político brasileiro, arrematando o sentido de desvio de função da tecnologia que, para o artista, também têm tudo a ver com as consequências e o desmembramento do acidente. O trabalho é complementado por uma série de livros chamada intersignes (que fazem referência à aerofotogrametria, datados de 1993), formando um aglomerado de cidades vista do alto, como se olhadas da janela de um avião no ar.

Por outro lado, Meu Cérebro Desenha Assim assinala a capacidade do artista de desviar a funcionalidade para criar poesia, esgarçar ainda mais a fronteira entre arte e o mundo/ciência. “Faço eletroencefalogramas em mim mesmo desde a década de 1907 e venho trabalhando em cima deles. Fico pensando em coisas terríveis, alegres, intermediárias, e isso afeta o traçado. Desenho com o cérebro, com o pensamento”, afirma Bruscky. Ao todo são 10 trabalhos ampliados para as dimensões de 1,00 x 0,80m, com intervenções coloridas e em preto e branco, com xérox, que dão ideia de movimento.

Os desenhos recebem o complemento de recortes de jornal que dão conta dos avanços da tecnologia. No final dos anos 1970, Paulo Bruscky fez uma série de proposições para colocar a ciência a serviço da poesia. Em uma delas, anuncia o interesse de construir uma máquina de filmas sonhos – os que sonhamos de noite, pequenos filmes produzidos pelo inconsciente. A máxima  de Santos Dumont “Tudo o que um homem sonhar outro pode realizar” é importante referência para o artista. O criador do avião, aquela máquina que nos dá asas e que falha na mão dos homens, condensa o posicionamento de Paulo Bruscky diante a arte.

“De homens, máquinas e sonhos” traz, por fim, a projeção de 10 filmes de artistas e 10 intervenções urbanas de Bruscky, reunidos pela primeira vez em uma mostra. Destaque para a que retrata o fechamento da Ponte Murício de Nassau, no centro do Recife, com uma fita e um laço, na faixa de pedestres, no auge da ditadura, em 1973.

Paulo Bruscky – As experiências de Bruscky com áudio-arte, vídeo arte, artdoor e xerografia são apontadas como pioneiras dentro das discussões acerca da utilização de novos meios na arte brasileira. Entre as décadas de 1970 e 1980, realizou 30 filmes de artista/videoarte. Em 1980, inventou os “xerofilmes”, que são filmes feitos a partir de imagens xerográficas, abrindo um novo campo para o desenho animado e o cinema experimental. A partir de 1983 iniciou as vídeo-instalações. Já participou de 60 mostras realizadas no Brasil em países como Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Portugal, Itália e Espanha.

Terça a sexta: 10 às 19h
Sábado: 11 às 17h

+55 81 3033.6060

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Rua Artur Muniz, nº 82, 1º andar, salas 13 e 14 (Entrada pelo restaurante Alphaiate)
Boa Viagem | Recife | Pernambuco