Habite-se | Márcio Almeida

As Demarcaçõess de Márcio Almeida

Conheço o artista Márcio Almeida e o seu trabalho dis/forme em relação à SituAção através de suas propostas/instalações, sempre com referências ao ser humano e seus questionamentos. Nas palavras do artista, uma das funções do seu projeto “é gerar o pensamento e o questionamento do global em contraposição com o local”. O próprio título da exposição faz uma alusão ao/à documento/licença da prefeitura para liberação do imóvel para habitação, e esta exposição composta de fotografias, cerca de sessenta obeliscos (feitos a ferro soldado, do tipo vergalhão, e cuja oxidação também é incorporada à sua ideia) e um videorregistro feito por Oriana Duarte em função do arrombamento do seu carro (que, ao prestar queixa na polícia, filmou a vidraça quebrada e o obelisco deitado num banco, tendo passado despercebido pelo ladrão), é apenas uma parte do registro de seu projeto obelisco andarilho (ao contrário dos obeliscos convencionais, que são grandes, imponentes e imóveis e servem para registros de marcos históricos), que já transitou por diversas cidades brasileiras e também no exterior, a exemplo de Paris, Londres, Roma e Berlim, entre outras. Esses objetos foram retirados da sua produção de desenhos/pinturas, em que estavam sempre representados.

Observando as fotos tiradas na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, o artista percebeu um fato curioso, que é a ausência de sombra do obelisco nas fotos tiradas nas ruas em plena luz do dia. Ao entregar o seu objeto para as pessoas, ele recebeu uma documentação foto/gráfica bastante diversificada no que se refere a situAções/habitações/lembranças de locais bastante inusitados, como banheiros, praças (numa delas um guarda protege o obelisco), lojas, fundo do mar, superposições com monumentos, enfim, uma série de registros que merecem uma análise sociológicas e antropológica. Em uma série de fotografias do seu work in progress, as projeções das sombras dos obeliscos se confundem como próprio objeto, gerando uma perspectiva inovadora. Sendo Márcio Almeida um artista pesquisador nato e multimídia, esta propostAção não é um trabalho isolado na sua diversificada e inteligente produção. Ele é um dos poucos artistas brasileiros, ao lado de Nelson Félix e Eleonora Fabre, a trabalhar com GPS (Global Position System), que o público pernambucano pôde conhecer quando da sua participação como artista convidado do 45º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, realizado na Fábrica da Tacaruna em 2002/2003, quando ele montou a sua obra intitulada De-Formação (Ação/Marcação na parte interna e externa da fábrica e segundo depoimento do próprio artista “(…) deu seqüência à série Ação/Marcação, utilizando instrumentos de localização por satélite, o GPS. De-Formação investigou posições e deslocamentos em uma ação marcada por três etapas: registro e marcação de um determinado ponto, a partir das coordenadas da latitude e longitude; interferência do artista nesse lugar, retirando a matéria (areia) e substituindo-a por água; e transposição da matéria (areia) para o espaço expositivo, sobrepondo as matérias de dois pontos geográficos distintos”.

Além da produção citada acima, Márcio realizou diversas intervenções urbanas e recentemente um trabalho bastante conceitual, que foi a transposição de um barraco de uma favela para o Museu de Arte Contemporânea de Olinda/2006, como projeto de pesquisa contemplado no último Salão de Arte Contemporânea do Museu do Estado de Pernambuco. Ele também tem uma produção  significativa nos seus trabalhos de vídeo, o exemplo  do Direita/Esquerda, Mani-Oca, Game Over, Delivery e PA #1, 2 E 3, entre outros que, de uma certa forma, estão sintonizados com sua produção como um todo.

Por fim, faço uso de uma outra frase do artista que resume muito bem a sua proposta: “O trabalho fala pouco e pergunta muito mais”.

Arte em trânsito.
Hoje, a arte é este comunicado.
Texto: Paulo Bruscky

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